Estou escrevendo o próximo livro "Umbanda na Umbanda" e gostaria de passar uma pequena degustação sobre ele.
Juramento
do Médium
Juro como médium de
Umbanda respeitar a Deus e minha religião através da ética dentro das bases
Crísticas de Oxalá
Coloco-me a
disposição da espiritualidade para servir e ajudar no crescimento de minha casa
e de minha religião
Comprometo-me a
respeitar a hierarquia, buscar aprender sobre a espiritualidade de Umbanda
respeitando com lealdade os fundamentos do templo que me acolheu
Jamais utilizarei
de minha mediunidade de maneira desonrosa ou desleal
Juro assim como
médium de Umbanda, ser um servidor e aprendiz para enaltecer e elevar em nome
de Deus os aspectos de minha religião.
Juramento
do Sacerdote
Coloco-me perante
as forças de Deus e de joelhos rogo Vossa Luz neste juramento
Comprometo-me
cumprir com minhas obrigações, respeitando a base Crística de Oxalá perante a
Cúpula da religião de Umbanda e perante o Criador.
Jamais cobrarei
pela a obrigação de servir aos necessitados e aos meus filhos
Dedicarei-me a ser
exemplo para enaltecer o nome de minha religião
Mesmo diante de
minhas fragilidades, mesmo se estiver em dificuldades, não virarei as costas a
quem necessita.
Levarei sempre a
palavra do bem respeitando as Leis do Universo
Ensinarei o que sei
aos meus iniciados
Juro e comprometo-me
com minha religião e responderei ao Criador pelas minhas falhas
Juro assim como
sacerdote de Umbanda ser leal aos desígnios da espiritualidade maior sendo
humilde e levando o amor a todos os irmãos sem distinção!
Preparo
Mediúnico
Mediunidade
é uma coisa séria. Como citado anteriormente, todos nós possuímos esta qualidade
enquanto ser humano encarnado; o que imaginamos atraímos, e mesmo sem saber,
manipulamos estes influxos de forças que influenciarão o meio, o medianeiro e
as pessoas ao seu redor. E assim como imãs ou como antenas, captamos
informações e passamo-las o tempo todo. Somos bombardeados por forças e
informações e muitas vezes acabamos por pensar ou fazer coisas que não
faríamos; é ai que se faz necessário o preparo e a compreensão da
espiritualidade, pois podem ser forças de ordem luminosa ou trevosa.
A falta de
preparo pode acarretar a um médium que se propôs atuar como medianeiro das
forças de Umbanda ações desfavoráveis e isto também influencia seu desempenho
no auxilio dos assistidos e na sustentação das vibrações espirituais do templo.
Para o ser humano
comum, ou profano, assim entendido aquele que não está dentro de um campo
espiritual, as coisas acontecem frequentemente, e estes passam a ser envolvidos
por forças degeneradas de ordem trevosa, e são levados, são manipulados por
agentes obscuros da espiritualidade. Independente de religião, o ser humano
deve estar em comunhão com Deus, pois se assim não for, muitas vezes sofre
consequências, um impacto natural pela ignorância que lhe cega e torna-se um
grande alvo das baixas vibrações e seres que estão na sua linha vibratória de
afinidade.
Ser médium
dentro de um trabalho espiritual, seja na Umbanda, seja no espiritismo, ou em
outro trabalho que exija esta qualificação, faz do ser humano um instrumento de
trabalho espiritual, onde se faz necessário a manifestação, e as coisas são, e
se tornam, totalmente diferentes.
Um médium de
Umbanda é totalmente diferente de um médium espírita, ou de um médium
candomblecista. Os preparos são distintos, embora o preparo que apresento
qualquer medianeiro poderá utilizar, mas o campo mediúnico espiritual do médium
de Umbanda é diferente. A estrutura espiritual de um médium de Umbanda
transcende, o medianeiro é capaz de atuar com as forças mais sublimes da
criação, bem como está preparado para os impactos de vibrações grosseiras
provenientes de agentes das trevas. Ele pode estar em ambientes distintos como
os citados de forma simultânea, dando a este médium uma condição excelsa de
atuação, pelo fato de estar dentro da egrégora regida pela cúpula da Umbanda.
Digo que um médium bem preparado é capaz de curar, é capaz de enfrentar
verdadeiras hostes do Embaixo, sem sequer ter os respingos de tais vibrações
degeneradas. Muito pelo contrário, o médium que atua dentro deste campo de ação
se fortalece a cada batalha, recebe verdadeiros escudos espirituais que lhe
permitirão atuar cada vez mais na ajuda e auxilio aos necessitados.
É fato que
para ter esta condição o primeiro preparo incontestavelmente é a fé e a maneira
que se disponibiliza para a tarefa do servir. Digo assim: fora da caridade não
existe salvação!
O médium que tem como lema de sua vida espiritual servir de
maneira incondicional sem ver a quem e segue os aspectos Crísticos já citados,
tem esplendidamente uma aura e um campo espiritual protegido. O médium
religioso é o contemplativo, é aquele que se reveste das forças dos Orixás,
sendo a própria virtude que eles vibram, não guarda rancores e não possui
inimigos. Pode ter os contrários, que por sua vez promovem sua evolução; o fato
de ter o perdão em seu conceito de vida,faz com que os seus vínculos de
afinidade estejam apenas ligados às esferas superiores, ficando capacitado ao
máximo na exímia utilização de suas faculdades. Este preparo inicial requer
desprendimento, requer disciplina em sua vida natural e principalmente
na espiritual.
As
características espirituais atuam através do campo mental do medianeiro; sua
mente só se tornará elevada no momento em que os conflitos internos sejam
exauridos de sua vibração mental. Os medos devem ser tratados; jamais devemos
temer agentes espirituais, sejam eles quais forem; respeitaremos sempre; nunca
os confrontaremos com ira; nunca vamos desafiá-los; jamais a arrogância deve
ser principio de qualquer ação na espiritualidade. Mas se estamos sobre a égide
do Criador, somos palacianos na corte de Luz da cúpula resplandecente de
Umbanda, e nada devemos temer pois o medo corrompe a mediunidade, fragiliza o
mental e o emocional, que por sua vez abre um campo vasto para seres e forças
degeneradas atuarem.
O
conhecimento se faz necessário, principalmente sobre as Leis do Bem recitado
através de ensinos do nosso Mestre Jesus, ressaltando sempre que o Caboclo das
Sete Encruzilhadas assim determinou. É bom conhecer sobre ervas que vibram
aspectos dos Orixás, forças de Deus que estão à nossa disposição e que
possibilitam inundarmos nossos campos espirituais mediúnicos com vibrações que
nos dão afinidades a correntes espirituais de proteção. Propiciam um bem
fascinante na parte energética, através dos chacras, e vibrações que em influxos
ressoam a ação límpida dos poderes de cura que serão manipulados pelos
medianeiros.
Como a parte
mental é importante para uma boa atuação dentro dos campos espirituais, faz-se
necessário o aprendizado sobre práticas meditativas, embora a meditação seja uma
ação natural quando contemplamos as forças da Criação. Busquemos adquirir o
hábito meditativo. Este ato promove importantes vibrações de preparo ao
medianeiro, facilitando aos guias a conexão de seus fios energéticos às
glândulas que sustentam a ligação de manifestações espirituais. Cada um deve
buscar em sua mente meditativa o sentido de seu trabalho religioso, o
entendimento de sua encarnação e o porquê se está em um templo religioso,
dotando-o de um preparo límpido que os espíritos guias se utilizarão.
O médium,
quando entra dentro desta egrégora umbandista, é apresentado através de um
batismo, ou através de um cruzamento que simboliza o adentrar deste irmão ao
mistério religioso de Umbanda. A utilização de pemba, água do mar ou cachoeira,
de símbolos, permite que o guia faça a conexão deste novo membro às telas da
Criação, ou às telas das divindades Orixás. Um símbolo do mentor de um templo
fixa-se no campo espiritual mediúnico do iniciado, sendo esta apresentação o
direcionamento a uma nova esfera à qual ele passa a pertencer, ser regido e
protegido. Embora a ritualística caiba a cada caso e a cada templo, na Umbanda
as ações sempre serão de forma a se ligar ao poder da natureza e sempre em
contemplação, mesmo entre tanta pluralidade de informações.
Muitos médiuns
quando iniciados, são levados às cachoeiras, ou mesmo ao mar, sendo colocado
diante do poder Orixá, sentindo em si o acolhimento de sua religião. Embora os
rituais sejam distintos em vários templos, sempre estarão respeitando a ordem
natural dos guias de luz, onde o amparo se faz presente no preparo e
apresentação do iniciado.
Para
podermos distinguir sobre um iniciado na Umbanda, e, por exemplo, um iniciado
no culto de nação, da cultura do povo Ketu, conhecido como Iaô (ou Iyao),
explico que um Iaô faz o buri e é recolhido, recebendo os assentamentos
iniciais de suas forças relacionados a esta cultura religiosa. Ele é chamado de
Iaô dentro do período dos primeiros sete anos; após, passa a ser denominado de
Egbomi (irmão mais velho) e antes de se tornar Iaô, são chamados de abian (ou
abiã, que significa “novato”). Este rito é proveniente do culto de nação,
embora seja executado em muitos templos de Umbanda, chamada Umbanda Omolokô,
umbanda africanizada.
É importante
ressaltar que se faz necessário respeitarmos este rito, pois é aceito por
muitos guias espirituais que militam na religião de Umbanda; sendo assim
asseguro ser viável dentro dos padrões espirituais de Umbanda, onde existe a
agregação da compreensão africana que se faz presente, embora eu não pratique
tais ritos. Aproveitando este tema, tenho certeza que muitos já ouviram falar
sobre “umbandomblé”, uma mistura de Umbanda com Candomblé. Bem, ai é
diferente, pois são duas religiões distintas, e como água e óleo, não se
misturam. Embora tenhamos os Orixás como ponto em comum, não absorvemos o
contexto ritualístico do Candomblé e sim da miscigenação cultural do povo Banto
e outros povos, onde agregamos por sincretismo o nome Orixás. Ressalto que o
Candomblé, assim como o conhecemos, existe apenas aqui no Brasil, pois na
África encontramos o culto de nação. Não confundimos a Umbanda Omolokô, que não
é Candomblé, com umbandomblé!
Entendendo
este ponto que é complexo e tema de muitas discussões, pois muitos não aceitam
e outros sim, retomemos nossa linha de raciocínio e vamos ao preparo do médium
antes de sua tarefa dentro do trabalho espiritual.
Nosso campo
energético interage o tempo todo com o meio em que estamos; assim sendo, é
importante que o médium tenha a atenção sobre alguns locais que na verdade
estão com suas vibrações viciadas, que por sua vez sustenta seres degenerados.
Lugares como bares, hospitais, cemitérios, boates, motéis são ambientes com
atividades constantes de forças que não condizem com a vibração de um trabalho
espiritual de Umbanda. É lógico que se for necessário entrar em um cemitério ou
hospital, nada que um pensamento Crístico e banhos de ervas não resolvam. E os
nossos guias espirituais, bem como os Orixás, compreenderão se o medianeiro
trabalhar nestes locais; aí se faz necessário que o dirigente espiritual faça
um trabalho preparatório diferenciado a este médium; este preparo é
personalizado e depende de cada caso bem como da regência do templo espiritual
deste médium.
Uma
observação: é natural o médium em desenvolvimento ser curioso; o ser humano por
natureza é assim. Existem muitos templos que se dizem de Umbanda, mas não o
são; atuam com trabalhos destrutivos, onde possíveis desafetos recebem de
frequentadores ataques terríveis. Estou entrando neste assunto, pois já estive
nessa fase de querer aprender e acabei entrando em lugares desse tipo, onde o
dirigente espiritual se diz religioso, ou umbandista, e na verdade esta em
comunhão com as forças das trevas através da magia negra. Para identificarmos
esses locais é sempre bom perguntar qual a base daquela casa; se for dito que a
base foi a estabelecida pelo fundador da Umbanda, você pode estar no local
ideal, ainda tendo que se verificar se as atitudes, dos filhos e do dirigente
condizem com a realidade apresentada. Uma sugestão: se você é médium em busca
de uma casa, visite o local por pelo menos três meses, e depois tire sua
conclusão, lembrando que não é você quem escolhe a casa e sim os seus mentores
espirituais. Se você é um médium visitante, e está em um templo verdadeiramente
religioso, ótimo. Se estiver em um templo degenerado, vai sofrer as
consequências e os impactos serão inevitáveis. Cabe sempre um preparo, antes
mesmo de visitar qualquer local, como o acender de uma vela ao anjo protetor ou
mesmo às suas forças e um banho de ervas, para se proteger.
Adentrando
ao assunto depuração de nossas vibrações antes de irmos aos trabalhos
espirituais, procuremos compreender sobre a alimentação.
Para aqueles
que se alimentam de carne, é necessário que resguardem pelo menos vinte e
quatro horas antes do trabalho, mas o ideal é quarenta e oito horas, tempo
indicado para a eliminação do alimento. Por que isto? O animal possui suas
vibrações naturais que não condizem com a vibração do medianeiro, bem como as
vibrações do sofrimento do animal ficam no campo espiritual e energético das
pessoas através das toxinas e da dimensão distinta do animal. Não é indicada a
ingestão de carne por este motivo. Colocando as palavras de Ramatis: Vocês que
se alimentam de carne estão saciando sua fome com cadáveres.
Mas aqui
segue uma experiência própria. Um medianeiro que atua nos campos de
descarregos, desobssesões, atuando nos maiores impactos dentro da
espiritualidade onde trabalha com seus guardiões na linhagem de desfazer
trabalhos de ordem trevosa, necessita de alimentos que contenham sangue. Um
medianeiro vegetariano, embora com sua aura límpida, não tem sustentação para
confrontar e eliminar trabalhos em que, na grande maioria, foi utilizado o
sacrifício animal. Sou médium desde meus nove anos de idade; terminei meu
desenvolvimento com a firmeza de preparo aos dezoito anos; desde então nas
giras de esquerda, meu Exu indica que eu coma carne nos dias desses
trabalhos. Isto eu, pois a regra geral é para que os médiuns não ingiram carne
horas antes dos trabalhos espirituais. Parece um contra-senso, porém toda regra
tem suas exceções, onde, neste caso, invariavelmente encontram-se certos
atributos que vão favorecer um determinado trabalho, ou médium, a fim de
exaurir por completo as nocividades excedentes no meio humano. Um dia pode até
ser que eu mesmo vire um vegetariano; mas acredito que quando isto ocorrer,
algumas tarefas na linha em que atuo, serão modificadas, ou mesmo outro
medianeiro passe a exercer a função determinada a mim, e há outros que com
certeza atuam desta maneira.
Alimentar-se
de frutas, verduras e leguminosas dará ao medianeiro uma excelente vibração
espiritual; seu campo áurico estará propício para as tarefas de cura. Beber
água é uma fonte rica de energias positivas; o ser humano deve tomar no mínimo
um litro e meio de água para um bom funcionamento de seu corpo.
O ideal, para
não fazermos distinção entre o homem e a mulher, é um consumo de cerca de três
litros por dia, incluindo o que consumimos de líquidos através, inclusive, dos
alimentos. Assim acontece com o medianeiro que toma água; indo além, quando se
ingere água permite-se atuar melhor no descarrego, e na parte curadora. Os
espíritos guias encontram vibrações que são exuberantes através do chacra
umbilical, possibilitando o envolvimento dos seres degenerados, que são levados
aos campos aos quaispertencem, isto na desobsessão. Na cura, os espíritos que
atuam na corrente médica usam os influxos do medianeiro para beneficiar o
assistido; assim eles conseguem manipular fórmulas curadoras que utilizam nos
necessitados. A alimentação, bem como a ingestão de água de maneira correta,
melhora a atuação do medianeiro, sendo fonte importante do preparo de seu campo
mediúnico espiritual. Também se deve tomar cuidado para não ingerir água
demais. Se tudo que é bom tem na sua falta uma fonte de problemas, o excesso
também deve ser evitado. O baixo consumo de água traz questões metabólicas e
funcionais ao organismo humano. O excesso deve ser evitado em razão não só da
toxicidade existente na nossa água, bem como porque os rins têm uma taxa de
eliminação de líquidos que deve ser respeitada.
Médiuns que
possuem algum tipo de vício têm sérias dificuldades no trato espiritual; o
alcoolismo degenera o campo espiritual, dotando o medianeiro de vibrações que
se tornam afim com seres mais densos. O tabaco atua no bloqueio de energias que
são regeneradoras dos campos vibratórios dos assistidos, bem como dificulta a
conexão do médium com o guia. A maconha segue com os mesmos sintomas do tabaco,
porém, com nuances que ligam o
campo do medianeiro a espíritos sofredores. Quando se fuma maconha, entra-se em
um estado de euforia que ilumina o campo energético relacionado ao chacra
básico, atraindo estes irmãos negativados. Drogas como a cocaína, anfetamina,
crack e outras do gênero, atuam destruindo os centros de força, desregulando-os
totalmente; tais medianeiros passam a ser vampirizados por seres de ordem
densa, acontecendo o bloqueio espiritual entre médium e guia de luz. Em
hipótese alguma um médium deve entrar em uma sessão após ingerir bebidas
alcoólicas, fazer uso de drogas. Em relação ao tabaco existe certa tolerância,
mas deve ser evitado o quanto possível.
O preparo de
um médium sempre deve ocorrer através do compartilhamento com a mãe natureza,
lembrando que a Umbanda é um culto à natureza. Nossos campos mediúnico
espiritual, energético, mental, emocional, são sensíveis às energias
existentes, sejam elas de cunho positivo ou não. Desta forma, as pessoas em
geral muitas vezes se sobrecarregam de fatores energomagnéticos, nocivos ou
não, e são influenciadas diretamente. Como citado em relação a ambientes que
possuem cargas viciadas que os medianeiros devem evitar antes de ir ao seu
trabalho litúrgico, digo que em outros ambientes comuns também encontramos
forças estagnadas que nos envolvem.
Desta
maneira necessitamos de forças relacionadas ao sol, à chuva, à terra, à água,
ao ar, e tudo isto de uma só vez; assim estaremos livres de aspectos
degenerados e ainda positivando toda a esfera de forças que possuímos. Esta
aglutinação de forças só se faz presente nas ervas, sendo ainda que, as ervas,
em sua variedade e dotadas de uma pluralidade de vibrações, nos dão a condição
de classificá-las e distingui-las em suas ondas vibratórias a determinadas
forças dos Orixás.
Assim, encontramos, por exemplo, o boldo, que pode ser
relacionado a Oxalá, também conhecido como tapete de Oxalá, o manjericão, para
Xangô, aroeira para Ogum ou Exu, e assim por diante, onde determinadas ervas
são direcionadoras destas forças de nossos pais Orixás.
Cada templo
e cada dirigente espiritual possuem seus próprios fundamentos em relação às
ervas e as indicam de forma direcionada aos seus filhos. Podemos classificar
algumas mais conhecidas; porém, existe uma variedade esplêndida de ervas que
darão aos médiuns o preparo necessário para suas atividades espirituais.
Deve-se lembrar que as ervas ainda são utilizadas para os banhos dos
assistidos, onde os espíritos guias os recomendam, inclusive como chás para
beneficiá-los.
Em minha
casa, todo filho que é indicado pelo guia chefe para compor a corrente
mediúnica, passa a possuir um assentamento de força que vejo como vital em meu
trabalho. Este assentamento de força está direcionado ao anjo protetor, ou anjo
da guarda. Faz-se necessário, como preparo, que o medianeiro tenha o hábito de
firmar seu anjo protetor. Só para que possamos compreender o termo “firmar”,
explica-se que se trata de um ato de comunhão de introspecção, onde passa a
existir a contemplação de suas forças. Faz-se fundamental que o dirigente
ensine esta necessidade de oração, de meditação.
O acender de uma vela deixa de
ser um ato apenas ritual, para ser um ato contemplativo de grande valor
religioso. É o próprio religar a Deus, se tornando um ato único e que define
uma força que chamamos de fé atuante representada pelo fogo da vela, que
expande os poderes da Criação ao medianeiro. É desta maneira que os espíritos
guias atuam em relação a acender uma vela quando em trabalho, fixando suas
forças, trazendo os aspectos de seus mistérios ao templo, ao medianeiro e ao
assistido. Estes fundamentos são o ponto crucial de preparo do médium; quando
este passa a compreender tais ritos, ele abre em seu campo mental o que é
chamado de poder atômico. As forças dos Orixás se conectam aos seus centros de
força, permitindo a canalização e, em trabalhos espirituais, a manifestação.
O preparo do
médium passa também pelo aspecto de como ele interpreta algumas ações dentro do
templo. O adentrar em solo sagrado, que é o seu templo de umbanda onde ele atua
como religioso, possui fundamentos e forças que se tornam parte de suas
próprias energias. Antes de qualquer trabalho religioso, o médium faz o que já
foi citado, tomando seu banho de ervas, firmando seu anjo protetor, colocando
sua roupa ritualística religiosa, e, chegando ao templo, saúda a entrada,
tocando o solo realizando o sinal da cruz. Desta maneira, o medianeiro saudou o
Alto, o Embaixo, a Direita e a Esquerda do templo. Vai até a tronqueira e
reverencia os guardiões pedindo licença. Vai até o seu dirigente, lhe pedindo a
benção. Vai até o altar e, tocando seu frontal nele, pede licença para sua
tarefa espiritual, entregando-se como médium de Umbanda, para a prática da
caridade.
Disciplina é
um fundamento necessário para todos estes preparos; ser médium de Umbanda
requer este atributo; creio que os preceitos só são realizados pelo medianeiro
que possui esta disciplina. O preparo anterior aos trabalhos espirituais também
envolve o lado sexual, pois a troca de influxos através do ato sexual faz com
que o campo mediúnico fique defasado em vibrações vitais que são utilizadas
pelos espíritos guias. Sendo assim, nas vinte e quatro horas que antecedem o
trabalho evita-se o contato sexual, bem como nas três horas seguintes. É
importante entender que o ato sexual não é visto como força negativa, ou
pecaminosa; muito pelo contrário, é um aspecto importante, não só em razão da
reprodução, como também para o equilíbrio de nossas energias. As glândulas,
através dos hormônios, regulam-se quando existe esta troca; as glândulas
eliminam e produzem efeitos que ajudam o bom andamento de nossos órgãos e, por
consequência, nossas energias e a nossa própria saúde.
A disciplina envolve
tudo dentro de um templo religioso; o médium deve sempre observar os fundamentos
que a casa traz, e assim seguir esse padrão. Os espíritos guias agem da mesma
forma; entram em sintonia espiritual com a coroa do templo e assim atuam
seguindo a hierarquia natural da casa onde prestará o auxílio como espírito
guia. Ressalto mais uma vez em relação às vestes, que é fundamental que as
roupas sejam consagradas ao trabalho espiritual, trazendo em si um aspecto
comportamental. Vestes decotadas, curtas ou apertadas não condizem com o meio
ritualístico religioso, sendo sábia e prudente a utilização de uma vestimenta
ritualística adequada. Os preparos dos médiuns possuem uma variação de acordo
com a doutrina aplicada; é, e sempre será fundamental o médium seguir as normas
da casa, mesmo que estas sejam diferentes das aqui mencionadas; este trabalho
escrito tem apenas um cunho informativo sobre este tema tão relevante.
Pai Ortiz Bello


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